O travado e a atirada | Eu & Nós

O travado e a atirada

A boa cabeça quer democracia entre os gêneros, mas o tesão não é democrático.

Por Marco Antonio Beck

mulher avançando e homem recuando

– Sou travado, tímido, não sei seduzir. Na hora de chegar, tenho vontade de sair correndo.

– Sou atirada pra me defender. Se for romântica, eu me fodo.

As duas frases, uma de um amigo e outra da amiga de uma amiga, resumem algo que você talvez já tenha percebido: os homens estão encolhidos, as mulheres estão tomando a iniciativa e uns e outras batem cabeça.

Nada contra a iniciativa feminina do ponto de vista dos tantos espaços públicos e privados que as mulheres têm conquistado nas últimas décadas. Muito pelo contrário. Viva elas!

Nenhum reparo também quanto aos homens enfiarem no saco a viola do velho machismo estilo aiatolá que não tolera crítica ou mudança. Abaixo a Idade Média!

Quando falo em bater cabeça, falo de tesão.

O negócio duro, a calcinha molhada.

Você é uma fêmea. O que te molha?

Um travado como o meu amigo da primeira frase, que não sabe nem o que fazer com as mãos, ou um arlequim com pegada, que te agarre de jeito e te submeta à tua vontade de ser submetida? Prestenção: não tou dizendo que gentileza não conta nem que pegada é sinônimo de grosseria. Falo de energia, de algo decidido pelo corpo e não pelo pensamento. (Pra vocês verem, 97% das entrevistadas numa recente pesquisa sobre o comportamento sexual das brasileiras afirmaram que o que mais as excita é, abre aspas, uma boa pegada, fecha aspas).

Você é um macho. O que te faz ficar com o negócio duro?

A atirada da segunda frase, que deixa de ser quem é pra virar uma caricatura oferecida, ou uma mulher que te põe doidinho porque permite que você dê as cartas que ela escolheu? Outra vez falo de sensação, não de estratégia. Ela escolher as cartas não significa que você é um banana.

O problema (ou a solução) é que a resposta da cabeça não coincide com a do tesão.

A boa cabeça quer democracia entre os gêneros, mas o tesão não é democrático. O tesão delas é yin e se molha com machos pegadores, mesmo que cavalheiros. O tesão deles é yang e endurece com fêmeas que sabem deixar-se conquistar, ainda que eventualmente mordam.

Nestes tempos de homens encolhidos e mulheres tomando a iniciativa, uns e outras batem cocuruto porque o yin e o yang trocaram de lugar.

Na cama o politicamente correto corta o barato de ambos.

Não fosse assim meu amigo deixaria de fugir porque ela se atira e a amiga da minha amiga deixaria de se atirar porque ele foge.

Pergunto não pra sua cabeça, mas pro seu tesão: tou errado?

SOBRE O AUTOR

Formado pela Sociedade Brasileira de Coaching (SBC) e pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), o Marco é practitioner em Programação Neurolinguística (PNL) e Emotional Freedom Techniques (EFT). Certificado em Psicologia Positiva pela metodologia do professor Tal Ben-Shahar, de Harvard, é coautor do livro Saúde Emocional (Editora Ser+), colaborador do blog da Sociedade Brasileira de Coaching e colunista convidado do Obvious, o maior site colaborativo de cultura em língua portuguesa. Estudou psicologia junguiana, noética e pensamento sistêmico, além de trabalhar como ghost-writer – que é quem coloca em palavras as ideias de muitos autores que você lê. Criou junto com a Mariana o Eu & Nós, primeiro site brasileiro sobre Coaching de Relacionamento.

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2 Comentários

  • 17/10/2011 - 01:19 Solange

    Pois é….nos mulheres conquistamos direitos…mas perdemos respeito.Ganhamos espaços..mas numa prisao,pq temos que nos reprimir de desejos e vontades…

    • 21/10/2011 - 21:50 Marco Antonio Beck

      Isso é verdade, Solange, e a grande reflexão me parece ser como homens e mulheres podem escapar dessa prisão cultural em que os dois foram trancafiados pelo costume de séculos e séculos. Como Roberto Freire, acho que fora do tesão não tem solução – entendendo-se tesão, aqui, no sentido não apenas sexual, mas no do prazer de viver e ser quem a gente é.

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