Química é foda! | Eu & Nós

Química é foda!

Ou melhor, também é foda, porque vai além da cama.

Por Marco Antonio Beck

casal se beijando na rua

A química entre duas pessoas passa por gritos & sussurros, mas se espraia num conjunto tão amplo e minucioso de detalhes, de acertos, de sintonias, que é impossível somá-los e chegar ao todo. O todo é maior que as partes e é por isso que a gente diz simplesmente: “Química é foda!”

Mas a tal química, por mais UAU! que seja, não sustenta a história sozinha.

Querer, vocês querem. Sonhar, sonham. Desejar, desejam. Mas é preciso mover-se, o que significa cada um estabelecer um diálogo interno, tomar uma série de decisões e em nome delas cometer uma série de ações que vão aproximá-los. Pense, pondere, reflita, converse com os vários eus que moram dentro de você, mas depois aja.

Isso serve pra solteiros, pra quem se sente solteiro mesmo casado e pra quem tem uma história que já foi legal e desbotou e quer a cor de volta.

Seja qual for o seu caso, pra agir você terá de sair da zona de conforto a que está habituado – o que inclui até o conforto desconfortável de empurrar as decisões com a barriga.

E sair da zona de conforto é igual a sair do piloto automático das reações habituais que vamos internalizando ao longo da vida, a maioria delas trazida da infância e invisível porque nem pensamos mais nisso.

Então aproveite que a química te pegou de jeito e tenha coragem de mudar a rota, seja pra abrir mão da solteirice, seja pra botar um ponto final numa relação desgastada e abrir espaço para a que chegou, seja pra colorir o desbotado e reinventar de um jeito feliz a relação com a pessoa que está ao seu lado.

Isso no começo pode não ser fácil porque o piloto automático é automático exatamente porque funciona no modo de economia de energia – e pra sair dele você precisará investir energia.

Desacostumar o olhar, cancelar as respostas prontas, desentupir os ouvidos, baixar as defesas.

Numa palavra, reconhecer a química e dizer sim pra ela quando seu velho piloto automático gritar que não!, não faça isso!, não vale a pena!, você vai se foder! (no mau sentido), quem garante que todo esse esforço terá um resultado feliz?!

Mas insista. O piloto automático é um comportamento aprendido – algo que você incorporou com base em decisões do passado. Mas, se todo comportamento é aprendido, também pode ser desaprendido com base em decisões do presente, que terminarão por criar uma nova zona de conforto, mais verdadeira e mais sintonizada com quem você (ou o seu amor) é hoje e não com quem você foi lá atrás e não é mais.

Só assim a química será realmente foda e não uma melancolia a ser lembrada daqui a alguns anos, quando você estiver habitual e infeliz sentado diante do computador relendo este texto. 

imagem: Auzigog

SOBRE O AUTOR

Formado pela Sociedade Brasileira de Coaching (SBC) e pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), o Marco é practitioner em Programação Neurolinguística (PNL) e Emotional Freedom Techniques (EFT). Certificado em Psicologia Positiva pela metodologia do professor Tal Ben-Shahar, de Harvard, é coautor do livro Saúde Emocional (Editora Ser+), colaborador do blog da Sociedade Brasileira de Coaching e colunista convidado do Obvious, o maior site colaborativo de cultura em língua portuguesa. Estudou psicologia junguiana, noética e pensamento sistêmico, além de trabalhar como ghost-writer – que é quem coloca em palavras as ideias de muitos autores que você lê. Criou junto com a Mariana o Eu & Nós, primeiro site brasileiro sobre Coaching de Relacionamento.

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