Que motocicleta você é? | Eu & Nós

Que motocicleta você é?

Tem quem sai da casa nova no carro zero com o bolso cheio de dólares para embarcar rumo a Paris vestindo Armani e trescalando scotch, e mesmo assim boceja de tédio.

Por Marco Antonio Beck

foto do emblema da moto harley-davidson

Você já parou pra pensar que as coisas materiais têm valor por causa da satisfação imaterial que nos proporcionam? Dinheiro, casa nova, carro zero, viagem a Paris, uísque importado, aquele jeans transado… tudo isso significa a sensação de plenitude que provoca na gente, mais do que a coisa em si. Tanto é que tem quem sai da casa nova no carro zero com o bolso cheio de dólares para embarcar rumo a Paris vestindo Armani e trescalando scotch, e mesmo assim boceja de tédio.

Enquanto isso outro ri de contente porque depois de pagar o aluguel ainda sobrou uma graninha pra tomar o busão com a família e passar o domingo de bermuda lá na praia todo cheiroso de disodorânti com uma cervejinha na mão. É ou não é?

Então desfrutar, mais do que uma questão de ter dinheiro ou coisas que se compra com ele, é uma questão de elegância interior.

É um jeito de olhar para a vida.

Num livro revelador chamado A reputação na velocidade do pensamento (Geração Editorial), Mário Rosa conta que Richard Teerlink, ex-presidente da Harley-Davidson – o ícone máximo de consumo para os devotos das motocicletas –, passou anos tentando explicar aos analistas de mercado que não era um simples fabricante de motos: “Eu fazia de tudo para que entendessem que vendíamos um estilo de vida e não um veículo”. Teerlink disse, noutras palavras, que o importante é a sensação de olhar para a vida e pra si mesmo como se estivesse no topo de uma daquelas perfeições em duas rodas. A Harley-Davidson em si é um detalhe.

Agora pense por 15 segundos. Quem você conhece que é assim, elegante por dentro? Quinze segundos – não menos pra resposta não passar batida, nem mais pra não colocar em campo um reserva. Só titulares da elegância interior. Contando. Vai!

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Seja qual tenha sido sua resposta – e torço de verdade pra que conheça gente assim, começando por você mesmo – eu garanto duas coisas: você lembrou de pouquíssimas pessoas e a elegância delas não tem nada a ver com dinheiro. Essas pessoas são elegantes, pode reparar, porque estão em paz consigo mesmas.

No busão pra prainha ou num AirBus A380 rumo a Paris, quem está em paz parece estar sempre pilotando uma Harley.

Vruuuuuuuummmm.

imagem: matthiasschack

SOBRE O AUTOR

Formado pela Sociedade Brasileira de Coaching (SBC) e pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), o Marco é practitioner em Programação Neurolinguística (PNL) e Emotional Freedom Techniques (EFT). Certificado em Psicologia Positiva pela metodologia do professor Tal Ben-Shahar, de Harvard, é coautor do livro Saúde Emocional (Editora Ser+), colaborador do blog da Sociedade Brasileira de Coaching e colunista convidado do Obvious, o maior site colaborativo de cultura em língua portuguesa. Estudou psicologia junguiana, noética e pensamento sistêmico, além de trabalhar como ghost-writer – que é quem coloca em palavras as ideias de muitos autores que você lê. Criou junto com a Mariana o Eu & Nós, primeiro site brasileiro sobre Coaching de Relacionamento.

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