Dinheiro traz felicidade? | Eu & Nós

Dinheiro traz felicidade?

Antes de responder a essa pergunta é preciso fazer outra: o que é felicidade para você?

Por Valéria Meirelles

prato de cédulas de dinheiro com um copo cheio de moedas

Se pra você felicidade for algo subjetivo, uma construção pessoal, um valor interior mais do que exterior – e é o que felicidade significa para a maioria das pessoas -, então é certo que o dinheiro por si só não traz felicidade. Mas também não significa o oposto: que ele traga infelicidade, embora essa seja uma crença introjetada por muitos. Porque o dinheiro proporciona conforto, permite que você tenha um plano de saúde, uma boa casa, acesso a melhores escolas, enfim, uma vida mais digna do ponto de vista material. Agora, se ele também vai contribuir para gerar a sensação de felicidade, isso é algo particular e que dependerá de suas crenças.

Quem tem dificuldade em tomar decisões pode angustiar-se com a liberdade de escolha que o dinheiro traz. Ou, mesmo sem se dar conta, pode associar a ideia de ganhar mais – algo que deseja! – com a possibilidade de investir errado e perder tudo, com o medo de ser assaltado, com a inveja dos amigos e parentes ou com a expectativa de desavenças familiares. Lá no fundinho, ainda que não admita, a pessoa crê que ocorrerá alguma desgraça para “compensar” esse prêmio, e tal crença pode levá-la a sabotar o próprio êxito financeiro. É como se para ter menos problemas a solução fosse ter menos dinheiro.

Gente assim vive um conflito: padece por não ter dinheiro e padece com a hipótese de tê-lo, receando as consequências que sempre vê como negativas.

Esse conflito envolvendo dinheiro é reforçado por uma interpretação cristã muito disseminada no Brasil: a de que é nobre ser desapegado das coisas materiais ao mesmo tempo em que se trabalha com dedicação. Em países cuja cultura religiosa é a de que “Deus ajuda quem se ajuda”, o dinheiro é bem-vindo porque é uma materialização dos talentos concedidos por Deus, desde que obtido por meios éticos, é claro.

O conflito tem solução?

Tem sim, e a primeira coisa é reconhecer que os pensamentos associando dinheiro à desgraça, culpa e infelicidade não são racionais, costumam ser herdados dos familiares e devem ser questionados. Afinal, se trabalhamos com dedicação é justo desfrutar da recompensa. Desejar a felicidade, as coisas boas, e ter medo de perdê-las é até certo ponto natural. O que não é natural é ser refém dessa sensação. E para livrar-se dela é necessário atualizar nossas crenças, conquistas e competências.

Isso é libertador porque nos permite escolhas pautadas por nossos projetos de vida e valores, ao invés de seguir crenças e mitos sociais cuja prática se revela ineficaz… e infeliz.

imagem: .joao xavi.

SOBRE O AUTOR

Valéria Meirelles é Mestre e Doutoranda em Psicologia Clínica pela PUC/SP, onde estuda o uso, a psicologia e o significado do dinheiro pelas mulheres de carreira. Organizadora do livro "Mulher do Século XXI" (Editora Roca), escreve em sites voltados a qualidade de vida e participa de eventos, reportagens e publicações que envolvam a mulher contemporânea.

Comentários do Facebook

01 Comentário

  • 21/5/2013 - 19:02 aleister

    Este mundo foi e está planejado para que apenas uma ínfima parcela da humanidade – os muito ricos e muito belos, tipo ator/atriz de Holllywood – conheçam de fato o que é ser feliz e realizado. Não é de estranhar que cada vez mais e mais pessoas se tornem descrentes de tudo, e com toda a razão.

Deixe seu comentário