Buáááá!!! | Eu & Nós

Buáááá!!!

Um recado pra sua criança interior.

Por Marco Antonio Beck

 

bebe interior

Era uma vez um bebezinho ou bebezinha que recebeu muito carinho ou carinho nenhum e esse amor ou a falta desse amor deixou marcas profundas no coraçãozinho dele ou dela.

Na infância e depois na adolescência e depois na juventude ele ou ela ressentiu-se por nunca mais ter experimentado aquele amor ou por jamais tê-lo provado, e nas coisas que fazia ou dizia ou pensava ou sentia havia sempre um eco desse afeto ausente.

E quando o bebezinho ou a bebezinha virou gente grande e foi ser médico ou publicitária ou advogado ou funcionária pública ou professor ou arquiteta e virou pai ou mãe e aprendeu um monte de coisas e hoje dá risada com os velhos amigos lembrando dos bons tempos, a marca daquele afeto que houve ou que não houve ainda dói como se o tempo não tivesse passado e mesmo que agora seja gente grande, o menininho ou a menininha ainda se ressente e trata de esconder esse ressentimento de si mesmo, de si mesma, e dos outros.

E esconde dando risada ou chorando pelos cantos ou comendo todas ou não dando pra ninguém ou fazendo cara de conteúdo ou colecionando selos ou virando adepto de alguma religião ou ideologia ou descarregando o ressentimento nos filhos ou no trânsito ou fazendo análise ou se rebelando ou baixando a cabeça ou empinando o nariz ou dando de ombros.

Tudo pra chamar atenção.

Como se dissesse: “Me pega no colo de novo ou pela primeira vez e diz que me ama e me aprova”.

E não adianta filosofar ou analisar porque mesmo o falar sobre isso é um proteger-se de.

De?

De tocar no amor recebido ou nunca recebido.

E tem como sair desse jardim de infância que existe cá no fuuundo, donde seguimos olhando pra vida de bermudinha ou de sainha, joelhos colados, pezinhos afastados, dedo na boca e grandes olhos assustados à espera da mamãe e do papai carinhosos que tivemos ou que queríamos ter tido?

Tem. E não passa só pelas palavras porque as palavras são boas mas levam a gente até a infância mas não entram nela.

Pra deixar de ressentir precisa ressignificar.

imagem: jonespointfilm

SOBRE O AUTOR

Formado pela Sociedade Brasileira de Coaching (SBC) e pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), o Marco é practitioner em Programação Neurolinguística (PNL) e Emotional Freedom Techniques (EFT). Certificado em Psicologia Positiva pela metodologia do professor Tal Ben-Shahar, de Harvard, é coautor do livro Saúde Emocional (Editora Ser+), colaborador do blog da Sociedade Brasileira de Coaching e colunista convidado do Obvious, o maior site colaborativo de cultura em língua portuguesa. Estudou psicologia junguiana, noética e pensamento sistêmico, além de trabalhar como ghost-writer – que é quem coloca em palavras as ideias de muitos autores que você lê. Criou junto com a Mariana o Eu & Nós, primeiro site brasileiro sobre Coaching de Relacionamento.

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