Bota essa língua pra fora! | Eu & Nós

Bota essa língua pra fora!

Todos idos, olhei pra Gia. Ela tava de costas conferindo se uma janela tava trancada, a bunda empinada embaixo do vestido fino…

Por Marco Antonio Beck

língua de mulherEra aniversário dela, 32 anos. Estávamos casados há cinco, um casamento legal, combinávamos feito feijão e arroz, mas com o tempo o tesão foi ficando pendurado ali no cabide pra um dia a gente…

Só que o dia não chega sem um start.

Foi numa quarta-feira. Olhei pra ela, a Gya tava no micro, e a vi do jeito que vi pela primeira vez, numa praça de Belorizonte. Senti um puta tesão, um tesão das antigas… mas.

Mas não soube, não sabia mais chegar nela a não ser como habitualmente.

E o habitualmente era o nosso problema – é o de todos, aliás.

Me assustei com aquilo. Por nós e por mim. Em que porra de buraco a gente enfia a alma pra sobreviver? E como ficamos sem ela? Fotos de RG com animação 3D? Uma vidinha The Sims? Repito: me assustei. E resolvi chutar o pau da barraca.

Sem dizer nada, aluguei uma casa de chá pra festa. Mexi na poupança, acertei tudo com os donos, avisei parentes e amigos.

No sábado seguinte foi uma surpresa. Todo mundo lá, gargalhadas, lágrimas, ah, Caio, não precisava…, fiquei feliz, Gya tava linda, tudo perfeito, noite maravilhosa.

Disse a ela que o proprietário era um camarada, que fez um preço legal (uma ova!) mas que eu tinha combinado de deixar tudo em ordem quando saísse, de modo que tivemos de esperar todos irem embora.

Todos idos, olhei pra Gya. Ela tava de costas conferindo se uma janela tava trancada, a bunda empinada embaixo do vestido fino… e deixei o ordinário chegar.

Gy.

Oi, Caio.

Vem cá.

Já vou, amor, tô…

Vem cá!

Foi estranho ouvir minha voz. Era minha voz mas era mais que isso – era a voz do meu tesão, da minha alma, do ordinário, do…

Chame pelo nome que preferir, mas era isso!

Também estranhei que ela viesse sem outro já vou. Mas veio.

Há quanto tempo nos conhecemos, Gy?

Ah, cara, que é isso agora? Ressaca? Quatro anos e três meses… Tá querendo me cantar com esse papo romântico?… Lindo!

Era exatamente isso, menos o romântico.

Cantar? Claro que não… esposa.

Segurei as mãos dela e rindo, fazendo de conta que fazia de conta, grudei-a pelos pulsos na parede de madeira. Então enfiei minha coxa entre as dela e pressionei.

Com força.

Caio… meu vestido. Pára. Você bebeu…

É verdade. Bebi. Saquê… Bota essa língua pra fora.

Quê?

Você ouviu. A língua.

Lindo, a gente tá cansado, é tarde, meus pés tão me matando, estamos numa casa de chá e…

Juntei os pulsos dela acima da cabeça, apertei com mais força do que devia e abri o decote com a mão livre, num safanão. Os botões estouraram um por um.

Pela primeira vez naquela conversa eu senti que a Gya se assustou.

Caio! Já chega. Pára com isso. Não tou curtindo mais…

Tô me lixando! Bota a língua pra fora, eu disse e segurei o seio esquerdo inteirinho por baixo do sutiã, o mamilo entre o dedo indicador e o médio como se segurasse um cigarro.

Pára, cara!…

Apertei os dedos.

Aiiii! Pára… porra, tá me machucando.

Bota a língua pra fora, Gya. Tô mandando.

Fui muito convincente. Nem acho que tenha sido, fui mesmo. Pra mim.

Ela botou a língua pra fora. Obediente, molhada, vermelha.

Era minha e fui buscar. Estiquei a língua e lambi a língua dela como se fosse um doce vivo. Ela olhava pra mim. Quando baixou os olhos pras línguas meu pau deu um pulo dentro da calça. Um pulo das antigas.

Caio…

Shhhh.

Apertei o bico do seio entre os dedos. Quase suave.

Ai!… Meu peito…

Meu peito.

Pressionei mais os pulsos da Gya contra a parede e ergui a coxa. Azar do vestido: esticado entre as pernas dela, rasgou na lateral.

O vestido…

É, rasgou.

Minha mulher agora estava montada na minha coxa, pulsos presos, quase na ponta dos pés. Como eu queria. Puxei o sutiã e os peitos saltaram, os bicos castanhos durinhos. Ela baixou o olhar e sorriu dum jeito que há tempo, muito tempo eu não via.

imagem: Photo Credit: Woman of Scorn via Compfight cc

SOBRE O AUTOR

Formado pela Sociedade Brasileira de Coaching (SBC) e pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), o Marco é practitioner em Programação Neurolinguística (PNL) e Emotional Freedom Techniques (EFT). Certificado em Psicologia Positiva pela metodologia do professor Tal Ben-Shahar, de Harvard, é coautor do livro Saúde Emocional (Editora Ser+), colaborador do blog da Sociedade Brasileira de Coaching e colunista convidado do Obvious, o maior site colaborativo de cultura em língua portuguesa. Estudou psicologia junguiana, noética e pensamento sistêmico, além de trabalhar como ghost-writer – que é quem coloca em palavras as ideias de muitos autores que você lê. Criou junto com a Mariana o Eu & Nós, primeiro site brasileiro sobre Coaching de Relacionamento.

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